Não consigo escrever quando me sinto bem aventurado. Sinto-me tonto, os pensamentos se esvaem, sem norte, como folhas secas em ventania. É um esforço formidável dedicar-me a extrair algum bom valor de mim mesmo nestas condições. Vejamos... Minha natureza é silenciosa, falo pouco, e tenho olhos enfáticos e curiosos, embora estéreis em tantas ocasiões. Afortunado, não vou além do contraditório, genuína máscara. Venturoso em demasia não me sinto eu, sinto-me outro. Sou sereno, macambúzio de sorriso leve e tímido, deveras um pouco infantil. Minha alegria é assim, gosto do abraço tácito e alongado, sinto-me feliz, gosto de ficar na rede num slide beijo leve, gosto das cócegas (Nela, não em mim), também gosto de morder, mordo macio... às vezes com vigor, ainda assim é uma dádiva que se dispõe de mana - uma ambrósia - e é reciprocado quase sempre em forma de vendeta, uma deliciosa vendeta quando não exagerada, é claro. Gosto de brincar de esconder-me dela, mas somente com as mãos tapando os olhos e evidentemente trapaceadas; sem ausentar o corpo, sem ir muito distante. Um minuto de saudade acabaria o jogo e certamente eu perderia. Eu gosto, assim me sinto outro. Quem sabe um Arlequim jururu que hoje se sente tão bem...
Nota: Não sei quem é o autor. Achei esse texto em um blog, faz algum tempo.
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