Os anos se passaram vagarosamente.O homem sancionou o tempo.E este, sedento e ávaro, tudo quis consumir.Consumiu o fogo. Consumiu a madeira.Água e terra. Consumiu a criação.O corpo do homem.A memória do homem.A consumição está sendo consumada.(...)Os meus olhos já não brilham e conseguem ver tanta cor.O céu é de um azul pálido e sem vida.Queria eu poder dizer que ainda há algum verde vivo em alguma folha de algum galho novo.As pedras já não são aquecidas por um sol dourado, a areia perdeu a forma.
O vasto mar, é morto, não algo a se apreciar.(...)A última águia alçou solitária seu vôo de libertação,o desespero no último rufar de asas.Suas garras poderosas agora eram incômodas,a prendiam na terra.
O último bando de felinos se reuniu,conservaram ainda o brilho selvagem no olhar,mas domados pela sede e fome se entregaram ante a última
sombra de um último oasis perdido no deserto.O grande leão rugiu chorando.
Os últimos tambores soaram.
Algum sino solitário se dispos a badalar.Clarins.Flautas e guizos.Uma última canção do passado?
Silêncio e penumbra.A luz dissipada se perdeu no tempo.Mais silêncio, silêncio entre o beijo de despedida.Silêncio entre as mãos enlaçadas.
A foice deposta trará um novo dia.O tempo não será tirano.Não correrá. Caminhará pimpão entre os passantes.A ilusão se torna um passado querido, ainda que sofrido.
As mãos não se separam.Ao fim, o gosto e o sabor.
A certeza de que o beijo da saudade, é melhor que o da despedida.- Francisco J. B. Pinheiro .'.(N.A.: Onde aparece "(...)" deveria ser uma linha de espaço, mas a edição de texto NÃO está ajudando. Fico devendo a formatação correta.)
In Memorian
Author: Pluribus Unum /
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário