"Não havia naquela manhã nenhum atrativo
especial.
Por entre frestas puder ver o sol despontar na campina.
A
brisa
fria deixou os animais preguiçosos, o sol custou a aquecer o solo e
inspirá-los a virem saudar o novo dia.
Mas o que se passava
lá fora não era idêntico ao que eu tinha em meu
quarto.
O quadrado
cálido
que eu me acomodava todas as noites dava-me o conforto
necessário
para a
satisfação do frio.
Enquanto estou aqui, pensando,
algumas frutas
me fazem companhia...alguns
goles de suco foram
sorvidos por mim, que
desatento permitiu que algumas gotas
se
derramassem por folhas ali da
escrivaninha.
Mas quem liga? Papéis velhos
devem ter
manchas.
Abri um pouco da janela, o vento a levou com
força contra
a parede externa
e imediatamente veio saudar o meu rosto,
que suavemente o
beijou.
A ponta de meu nariz ficou um tanto fria,
enquanto o ar gelado
ganhava espaço no meu peito.
Senti a
calidez do quarto
diminuir, mas não me importei, agora havia
equilibrio.
Sentado cá onde
estou, abri o vidro de tinta de pena,
havia também uma pilha de
papéis à minha
disposição.
A ponta áspera da pena foi
colocada sobre as folhas
amareladas
enquanto o meu olhar se
perdia nas montanhas ao longe.
A chama
da vela ao meu lado dançava
levemente, ajudava na minha dispersão e
me
ajudou a chegar na triste
conclusão que logo cheguei enquanto
levantava:
Não havia
nada para escrever naquele
dia..."
Rito de tinta
Author: Pluribus Unum /
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